Património Geológico de Portugal

Inventário de geossítios de relevância nacional

Afloramento de Sete Casais

Categoria temática:Carbónico continental

Proponente(s):Ary Jesus

Contacto:adelmar@fc.up.pt

Região:Norte

Município:Gondomar Freguesia:Baguim do Monte

Área do Geossítio (aprox.):2700 m2

Coord. Geográficas:41.2013889,-8.5258333

Área de protecção:0 m2


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Regime de propriedade:privado

Regime de protecção ambiental:
Incluído noutros regimes de protecção- em actualização

Avaliação quantitativa do valor científico (0-100):61.25

Avaliação quantitativa da vulnerabilidade (100-400):260

Justificação do valor científico:
Trata-se de um afloramento em que é possível observar directa e ininterruptamente:
a) duas séries diferentes de Carbonífero que se encontram separadas por discordância angular,
b) a caixa de falha resultante do cavalgamento do Anticlinal de Valongo sobre a Bacia Carbonífera do Douro, sendo visíveis indicadores cinemáticos (estruturas sigma) nas camadas do Silúrico.

Relativamente ao Carbonífero:
c) a série inferior, da qual é possível analisar parte da sequência sedimentar, apresenta deformação tectónica compatível com estruturas da 3ª fase do ciclo varisco, encontrando-se essas estruturas com um estilo e padrão de deformação que sugere, fortemente, a respectiva deformação a actuar sobre rochas sedimentares que se encontrariam ainda não totalmente consolidadas, pelo que o regime frágil da deformação não se manifesta de forma evidente, esta série, pode ser o equivalente autóctone do afloramento de Ervedosa, o qual se encontra datado do Asturiano (Vestefaliano D), no entanto, para tal confirmação (ou não) é necessário efectuar trabalho que possibilite a datação precisa, dado que a ocorrência de macrofósseis é rara e, até à data, os poucos macrofósseis encontrados apenas permitem a datação como Carbonífero.
d) a série superior, apresenta exactamente o mesmo registo sedimentológico reconhecido por Pinto de Jesus (2001) para a Bacia Carbonífera do Douro, para além desse aspecto, as características de molasso são bem evidentes e estão de acordo com uma fácies proximal do fecho da Bacia Carbonífera do Douro no sector Norte da mesma. O registo sedimentológico permite distinguir claramente, da base para o topo, a existência de um leque aluvial com predominância “debris-flow”, litofácies lacustres/palustres, litofácies resultantes de um sistema fluvial entrançado (tipo “braided”), litofácies resultantes de sistemas palustres/lacustres e a aferição da duplicação da série que evidencia características sedimentológicas (litologia dos clastos, sobretudo) denunciando a maior proximidade das Formações estruturadas no flanco inverso do Anticlinal de Valongo.

Contacto com o Anticlinal de Valongo
e) a série superior do Carbonífero (pertencente à Bacia Carbonífera do Douro) a que nos referimos é truncada pelos terrenos do Silúrico estruturados no flanco inverso do Anticlinal de Valongo, encontrando-se indicadores cinemáticos (sobretudo deformação de nódulos siliciosos) que permitem avaliar e, eventualmente, quantificar (estudos ainda não realizados) a componente cavalgante do Anticlinal de Valongo sobre a Bacia Carbonífera do Douro.

Outros valores patrimoniais científicos
f) no estudo do registo sedimentar e respectiva migração pode ser aplicada a análise dos elementos arquitecturais de Miall,
g) existem clastos com granulometria elevada (blocos) de granito cuja caracterização e determinação de proveniência são de suma importância para a geologia regional, o mesmo relativamente às diversas e enorme variedade de litologias noutros clastos presentes,
h) os níveis de “debris-flow” (mudflow) encontram-se bem posicionados para a caracterização das fácies aluviais,
i) no sistema fluvial entrançado (tipo “braided”) é possível determinar a perenidade ou efemeridade dos canais fluviais, através da configuração, da geometria e dos cocientes entre as larguras dos leitos e as profundidades dos mesmos,
j) determinação e cronologia relativa das fases de deformação do ciclo varisco que actuaram sobre as diferentes séries de carbonífero, por um lado, e, por outro lado, sobre o Silúrico do Anticlinal de Valongo.

Bibliografia principal sobre o local:
Pinto de Jesus, A., 2001. Génese e Evolução da Bacia Carbonífera do Douro (Estefaniano C inferior, NW de Portugal), Um Modelo. 2 Vols, Texto 232 pp., 4 anexos, Atlas 71pp. Universidade do Porto. (Tese de Doutoramento).
Pinto de Jesus, A. & Lemos de Sousa, M.J., 1998b. Notas sobre o Afloramento Carbonífero de Sete Casais (Sector NW do Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão). In: H.I.Chaminé, A.Guerner Dias, M.A.Ribeiro & F.Sodré Borges, Coords, 4ª Conferência Anual GGET’98, Porto, 1998, Resumos Alargados. GEOlogos, Porto, 2: 157-162.

Outras referências bibliográficas:
Incluídas nas referências da bibliografia principal

Outros valores e sua justificação:
Elevado valor educativo dada a facilidade de acesso e a existência de transportes públicos com paragens muito próximas do local.
Acresce ainda que o arruamento praticamente não tem trânsito, possibilitando uma maior segurança e serenidade nas observações e estudos a efectuar.

Observações:

FCT Uminho

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