Património Geológico de Portugal

Inventário de geossítios de relevância nacional

Afloramento de Germunde

Categoria temática:Carbónico continental

Proponente(s):Ary Jesus

Contacto:adelmar@fc.up.pt

Região:Norte

Município:Castelo de Paiva Freguesia:Pedorido

Área do Geossítio (aprox.):1800 m2

Coord. Geográficas:41.0461111,-8.3933333

Área de protecção:0 m2


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Regime de propriedade:privado

Regime de protecção ambiental:
Incluído noutros regimes de protecção- em actualização

Avaliação quantitativa do valor científico (0-100):53.75

Avaliação quantitativa da vulnerabilidade (100-400):280

Justificação do valor científico:
Excelente afloramento da Bacia Carbonífera do Douro (BCD) (Estefaniano C inferior), em taludes de estrada, onde é possível ver a sequência completa do registo sedimentológico da BCD e as formações que com ela contactam tanto a muro como a tecto, bem como as estruturas tectónicas da deformação a que a BCD foi sujeita.
De SW para NE:
a) Complexo xisto-grauváquico (Câmbrico inferior a médio ?),
b) inconformidade com discordância angular entre o Compexo xisto-grauváquico e a base da BCD,
c) leque aluvial da base da BCD, com predominância fluvial, sendo também visíveis alguns registos de debris-flow (mudflow),
d) 1º complexo lacustre/palustre com camadas de carvão intercaladas com xistos de coloração negra ou cinza,
e) 1º complexo fluvial com estruturas de canal do tipo multistory/multichannel, com estratificação cruzada curva de média a alto ângulo, e respectiva migração para barras de canal, possibilitando determinar paleocorrentes e o respectivo sentido,
f) 2º complexo lacustre/palustre resultante do enfraquecimento e colmatação do sistema fluvial, com camadas de xisto e de carvão alternantes, sendo cortadas por corpos arenosos em forma de bola de grandes dimensões, os quais, sendo o resultado e o registo de sedimentação deltaica, denunciam um 2º sistema fluvial com paleocorrentes algo diversas das que se encontram no 1º sistema fluvial,

Falha inversa intra-Carbonífero e repetição (parcial) da série inferior através de processo de escamização.
g) contacto, por falha gerada em transpressão esquerda, com as Formações do Ordovícico, estruturadas no flanco inverso do Anticlinal de Valongo, que truncam a parte superior da BCD, sendo bem visível a componente cavalgante,

Aspectos tectónicos
h) clivagem de fractura nas camadas da BCD, de litologia areno-conglomerática e lutítica, registando o comportamento frágil das mesmas,
i) sigmoidização (e milonitização) de camadas de carvão com resposta dúctil à solicitação tectónica,

Para além do afloramento do Carbonífero, podem-se observar litologias e estruturas do Complexo xisto-grauváquico, o qual se encontra bem exposto.
São visíveis cristas dos quartzitos do Ordovícico do Anticlinal de Valongo.

Outros valores e sua justificação:
Fácil acesso ao local, para observações e amostragem, pese embora a observação ser prejudicada pelo trânsito.
Historicamente, ainda se podem observar, algumas das estruturas mineiras (tolva, poço de extracção mineira, escombreiras, e, à distância, ou através de autorização concedida pelos proprietários, o esqueleto das estruturas da Mina de Germunde, última mina em que houve exploração, por lavra subterrânea, na BCD. É ainda possível observar directamente a entrada de uma das galerias da Mina de Germunde. Esta entrada encontra-se fechada através de um portão de grade que possibilita essa observação, situa-se perto do afloramento (cerca de 200m), numa zona a N do mesmo.

Observações:

FCT Uminho

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