Património Geológico de Portugal

Inventário de geossítios de relevância nacional

Arribas da frente ribeirinha do Tejo

Categoria temática:Bacias terciárias da margem ocidental ibérica

Proponente(s):João Pais, Paulo Legoinha, Pedro Cunha

Contacto:jjp@fct.unl.pt, pal@fct.unl.pt, pcunha@dct.uc.pt,

Região:Lisboa

Município:Almada Freguesia:Almada, Pragal, Caparica, Trafaria

Área do Geossítio (aprox.):90000 m2

Coord. Geográficas:38.6800000,-9.1722222

Área de protecção:0 m2


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Regime de propriedade:privado

Regime de protecção ambiental:
Incluído noutros regimes de protecção- em actualização

Avaliação quantitativa do valor científico (0-100):66.25

Avaliação quantitativa da vulnerabilidade (100-400):295

Justificação do valor científico:
As arribas ribeirinhas da margem esquerda do gargalo do Tejo, entre Cacilhas e Trafaria, expõem principalmente camadas do Miocénico inferior (unidades II-Va2) e parte inferior do Miocénico médio (unidade Va3). Correspondem, quase sempre, a fácies marinhas, à excepção de alguns níveis regressivos, de influência continental mais acentuada, que ocorrem nomeadamente no corte subjacente ao Monumento ao Cristo Rei, onde há que destacar significativa jazida paleobotânica, com restos foliares variados. Destacam-se os afloramentos de:

1) Cristo Rei (Forno do Tijolo) na arriba da margem esquerda do gargalo do Tejo, sob o Monumento a Cristo Rei (38º 40\' 48\'\' N, 9º 10\' 20\'\' W), com boa representação de quase todo o Burdigaliano, com disconformidade evidente entre as unidades II e III e grande diversidade de paleoambientes (desde fluvial a circalitoral), possibilitando correlação directa entre biostratigrafia marinha e continental. Fósseis abundantes, sendo a única jazida do Concelho de Almada com macrorrestos de plantas e pequenos mamíferos terrestres.

2) Palença de Baixo, na arriba da margem esquerda do gargalo do Tejo, a O da ponte, junto às antigas barreiras de exploração de argila para cerâmica há muito conhecidas neste local (38º 40\' 44\'\' N, 9º 10\' 49\'\' W). Além da boa exposição das camadas burdigalianas, com destaque para a unidade IVa, este antigo corte deu muitos e magníficos fósseis de moluscos (com realce para Pereiraia gervaisii e pectinídeos), exemplares bem preservados de malacostráceos (Achelous delgadoi), peixes, entre os quais raros exemplares completos de pargo (Pagrus sp.), bem como abundantes microfósseis (foraminíferos e cocolitoforídeos), que permitiram datações de pormenor.

3) Porto Brandão, nas arribas da margem esquerda do gargalo do Tejo, em redor de Porto Brandão. (38º 40\' 36\'\' N, 9º 12\' 27\'\' W). Grande abundância e diversidade de fósseis, com destaque para os moluscos, em especial o raríssimo nautilóide Aturia aturi, e para escassos exemplares fragmentários de corais coloniais, como Tarbellastraea cf. abditaxis e Favites neglecta.

4) Portinho da Costa, na arriba da margem esquerda do gargalo do Tejo, sobretudo no troço para E da praia do Portinho da Costa (38º 40\' 31\'\'N, 9º 13\' 10\'\'W). Boa exposição do Burdigaliano inferior e da disconformidade regional entre as unidades II e III, complementada por abundantes figuras sedimentares, grande riqueza fossilífera e facilidade de acesso.

5) Trafaria (Pica Galo), na escarpa interior a SO da Trafaria, situada entre esta localidade e o bairro do Pica Galo (38º 39\' 60\'\' N, 9º 14\' 19\'\' W). Boa exposição das unidades burdigalianas, bem datadas com base em dados bio e magnetostratigráficos. Abundância de moluscos (bivalves e gastrópodes), microfósseis (especialmente foraminíferos), equinóides (Clypeaster olisiponensis) e malacostráceos (Calianassa lusitanica), entre outros.







Outros valores e sua justificação:

Observações:

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