Património Geológico de Portugal

Inventário de geossítios de relevância nacional

O que é património geológico

O património geológico compreende as ocorrências naturais de elementos da geodiversidade – os geossítios – que possuem excepcional valor científico. Trata-se de locais onde os minerais, as rochas, os fósseis, os solos ou as geoformas possuem características próprias que nos permitem conhecer a história geológica do nosso planeta. Os geossítios, para além de terem um valor científico, podem igualmente ter um valor educativo e turístico, cujo uso sustentado deve ser promovido para usufruto da sociedade.

A geoconservação consiste na protecção do património geológico promovendo, simultaneamente, o uso racional desta componente não viva do património natural. Os exemplos excepcionais de elementos da geodiversidade podem enfrentar diversos tipos de ameaças resultantes, quer de processos naturais, quer de intervenções humanas (como por exemplo o roubo e comércio ilegal de minerais e fósseis; vandalismo; mineração; ausência de legislação adequada; etc.). A geoconservação constitui, hoje, uma das especialidades emergentes que se desenvolve no âmbito das Ciências da Terra. Ela compreende diversas etapas que passam pela inventariação, caracterização, classificação, conservação e divulgação dos geossítios.


O que é este inventário

O inventário nacional do património geológico reúne os principais locais em Portugal (geossítios) onde ocorrem elementos da geodiversidade (minerais, fósseis, rochas, geoformas) com elevado valor científico. Este inventário é um dos resultados do projecto de investigação “Identificação, caracterização e conservação do património geológico: uma estratégia de geoconservação para Portugal” (PTDC/CTE- GEX/64966/2006), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 2007 e 2010.

O projecto, liderado pela Universidade do Minho, contou com representantes das universidades dos Açores, Algarve, Aveiro, Coimbra, Évora, Lisboa, Madeira, Nova de Lisboa, Porto, Trás-os-Montes e Alto Douro, da Associação Portuguesa de Geomorfólogos, do Museu Nacional de História Natural e com um bolseiro de pós-doutoramento.

Este inventário integrará o Sistema de Informação do Património Natural e o Cadastro Nacional dos Valores Naturais Classificados, da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, conforme prevê o Decreto- Lei nº 142/2008, de 24 de Julho.

Este inventário não contempla o património geológico ex-situ que é constituído pelas amostras geológicas e paleontológicas de elevado valor científico, habitualmente disponíveis em colecções museológicas.

Nesta base de dados a informação de alguns geossítios está incompleta e vai sendo completada. 


Quem participou no inventário

Para além dos membros do projecto, dezenas de colaboradores participaram na identificação e caracterização de geossítios, aos quais se expressa aqui um agradecimento público.

Membros do projecto

Artur Sá (Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro)
Delminda Moura (Univ. do Algarve)
Diamantino Pereira (Associação Portuguesa de Geomorfólogos)
Fernando Barriga (Museu Nacional de História Natural)
Helena Couto (Univ. do Porto)
João Carlos Nunes (Univ. dos Açores)
Jorge Medina (Univ. de Aveiro)
José Brilha (Univ. do Minho)
José Carlos Kullberg (Univ. Nova de Lisboa),
Maria Helena Henriques (Univ. de Coimbra)
Mário Cachão (Univ. de Lisboa)
Paulo Pereira (Univ. do Minho)
Rui Dias (Univ. de Évora)
Susana Prada (Univ. da Madeira)

 

Colaboradores

Alberto Cobos (Fundación Dinópolis)
Alberto Monteiro (Univ. Nova de Lisboa)
Alexandre Lima (Univ. do Porto)
Ana Azeredo (Univ. de Lisboa)
Ângela Almeida (Univ. do Porto)
António Araújo (Univ. de Évora)
António Brum da Silveira (Univ. de Lisboa)
António Ferreira Soares (Univ. de Coimbra)
António Galopim de Carvalho (Univ. de Lisboa)
António Martins (Univ. de Évora)
António Prego (Univ. Nova de Lisboa)
António Ribeiro (Univ. de Lisboa)
António Sequeira (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
Armanda Dória (Univ. do Porto)
Ary Pinto de Jesus (Univ. do Porto)
Beatriz Valle Aguado (Univ. de Aveiro)
Carlos Alves (Univ. de Lisboa)
Carlos Coke (Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro)
Carlos Neto de Carvalho (Geoparque Naturtejo)
César Monteiro (Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade)
Eva Lima (Univ. dos Açores)
Fernando Noronha (Univ. do Porto)
Helena Granja (Univ. do Minho)
Helena Sant’Ovaia (Univ. do Porto)
João Cabral (Univ. de Lisboa)
João Matos (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
João Pais (Univ. Nova de Lisboa)
José António Crispim (Univ. de Lisboa)
José Madeira (Univ. de Lisboa)
José Piçarra (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
José Relvas (Univ. de Lisboa)
José Tomás de Oliveira (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
Júlio Marques (Univ. de Coimbra)
Línia Martins (Univ. Nova de Lisboa)
Luis Alcalá (Fundación Dinópolis)
Luís Lopes (Univ. de Évora)
Luís Víctor Duarte (Univ. de Coimbra)
Maria Carla Kullberg (Univ. de Lisboa)
Maria do Rosário Azevedo (Univ. de Aveiro)
Maria dos Anjos Ribeiro (Univ. do Porto)
Maria Leonor Ramalho (Univ. Nova de Lisboa)
Mário Moreira (Instituto Politécnico de Lisboa)
Miguel Ramalho (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
Mónica Sousa (Univ. do Porto)
Narciso Ferreira (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
Nuno Pimentel (Univ. de Lisboa)
Nuno Vaz (Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro)
Patrícia Falé (Direcção Geral de Energia e Geologia)
Paulo Caetano (Univ. Nova de Lisboa)
Paulo Fonseca (Univ. de Lisboa)
Paulo Legoinha (Univ. Nova de Lisboa)
Pedro Proença e Cunha (Univ. de Coimbra)
Pedro Terrinha (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)
Ruben Martins (Univ. de Évora)
Regina Gonçalves (Univ. de Aveiro)
Ricardo Ramalho (Univ. de Bristol)
Rogério Rocha (Univ. Nova de Lisboa)
Rui Miranda (Univ. de Lisboa)
Rui Pena dos Reis (Univ. de Coimbra)
Vanda Santos (Museu Nacional de História Natural)
Zélia Pereira (Laboratório Nacional de Energia e Geologia)


Como foi desenvolvido o inventário

O inventário centrou-se na identificação do património geológico de valor científico e de relevância nacional, baseando-se nas metodologias internacionais promovidas pela ProGEO (Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico) e pela IUGS (União Internacional das Ciências Geológicas).

Estas metodologias recomendam que um processo de inventário nacional de geossítios se inicie pela definição de categorias temáticas. As categorias geológicas temáticas correspondem aos principais temas que melhor representam a geodiversidade e a evolução geológica do território. Para cada categoria, uma equipa liderada por um especialista reconhecido, identificou, posteriormente, os geossítios mais representativos desse tema, em parceria com muitos outros investigadores que assim colaboraram graciosamente no inventário. Os geossítios identificados para cada categoria foram avaliados quantitativamente relativamente a dois aspectos: valor científico e vulnerabilidade.

No item "Publicações" do menú está disponível bibliografia que detalha a metodologia usada neste inventário nacional.

Categorias temáticas definidas no inventário nacional:

  • Neoproterozóico superior da zona centro-ibérica
  • Mármores paleozóicos da zona ossa-morena
  • Ordovícico da zona centro-ibérica
  • Paleozóico da região de Barrancos (zona ossa-morena)
  • Terrenos exóticos do nordeste de Portugal
  • Transversal à zona de cizalhamento varisco em Portugal
  • Geologia e metalogenia da faixa piritosa ibérica
  • Carbónico marinho da zona sul portuguesa
  • Carbónico continental
  • Granitóides pré-mesozóicos
  • Província metalogénica W-Sn ibérica
  • Mineralizações auríferas do norte de Portugal
  • Evolução tectónica meso-cenozóica da margem ocidental ibérica
  • Triássico Superior do SW ibérico
  • Registo jurássico na bacia lusitaniana
  • Sedimentos cretácicos na bacia lusitaniana
  • Pegadas de dinossáurios no oeste da península ibérica
  • Tectono-estratigrafia meso-cenozóica do Algarve
  • Bacias terciárias da margem ocidental ibérica
  • Relevo e drenagem fluvial no maciço ibérico português
  • Sistemas cársicos
  • Arribas litorais actuais e fósseis
  • Costas baixas
  • Neotectónica em Portugal continental
  • Vestígios de glaciações pleistocénicas
  • Vulcanismo e morfologia do arquipélago dos Açores
  • Vulcanismo e morfologia do arquipélago da Madeira

Como posso participar no inventário?

Um inventário desta natureza nunca está encerrado. À medida que o conhecimento científico avança, certas ocorrências podem adquirir uma importância que outrora não detinham ou novos locais podem ser colocados em evidência. Se pretende propor um geossítio com reconhecido valor científico e de relevância nacional, deixe o seu contacto. Os locais propostos serão analisados pelo responsável científico da categoria temática em que se inserem, sendo verificada a pertinência do geossítio como representante nacional da respectiva categoria temática. 

FCT Uminho

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