Geossítios
GEO

Granito do Porto

justificação do valor científico

Granitos hercínicos, sin-orogénicos, sin- a tardi-D3. Na sua maioria são maciços que se instalam nos antiformas relacionados com D3, de que são exemplos  os alinhamentos Monção-Vila Real-Moncorvo, Lamego-Figueira de Castelo Rodrigo e Porto-Viseu. São granitos de duas micas fortemente peraluminosos,  da série aluminopotássica, com origem anactética crustal. Apresentam grande variabilidade granulométrica e textural. Exibem deformação bem expressa normalmente associada a foliação e cisalhamentos, de acordo com o campo de tensões vigente. 
O granito do Porto corresponde a um leucogranito de grão médio a grosseiro, localmente deformado segundo N130ºE. A sua caracterização petrográfica evidencia uma textura dominantemente hipidiomórfica granular. A moscovite prevalece sobre a biotite, ocorrendo quer como uma fase primária quer sob diversas gerações secundárias substituindo outros minerais e  marcando zonas de cisalhamento. 
Estudos realizados em granitos de duas micas do norte de Portugal têm mostrado que apresentam alterações tardi-magmáticas e hidrotermais, cujos efeitos se traduzem mineralogicamente pela moscovitização da plagioclase, da biotite e por vezes do felspato potássico, albitização do feldspato potássico, cloritização da biotite, com a consequente formação de diferentes gerações de micas. No granito do Porto  estes fenómenos estão associados à formação de raros interestratificados expansivos clorite/esmectite e de uma fase esmectítica pura (Begonha, 1997, Begonha e Sequeira Braga, 2002). A meteorização progride ao longo de fissuras e de sistemas de diaclasamento cujos sistemas principais exibem  orientações NE-SW (N30º a N60ºE) e ENE-WSW a NW-SE (N100º a N140ºE) (Carta Geotécnica do Porto, 2003). 
Na caracterização geoquímica do granito do Porto destaca-se o carácter fortemente peraluminoso dado pelos elevados valores da razão molar A/KCN, entre 1.3 e 1.5 justificados pela ocorrência de moscovite primária. Um estudo isotópico U-Pb efectuado em duas fracções de zircão e uma de monazite indica a idade de instalação de 318±2 Ma. As duas fracções de zircão definem uma discórdia inversa sugerindo uma componente de zircão herdada (Almeida, 2001).
Na Serra da Freita ocorre o granito da Castanheira, semelhante ao granito do Porto, com um afloramento peculiar que contém abundantes nódulos de biotite em forma de disco, constituindo um importante geossítio conhecido por Pedras Parideiras.

Referências
Almeida, A. 2001. Geochemical and geochronological characterization of the syn-tectonic two-mica granite of Porto (NW Portugal). In: M. Lago, E. Arranz & C. Galé (Eds.). Actas do III Congresso Ibérico de Geoquímica e VIII Congresso de Geoquímica de Espanha. Instituto Geológico de Aragão, Zaragoza, pp. 311-315.
Begonha, A., 2001 . “Meteorização do granito e deterioração da pedra em monumentos e edifícios da cidade do Porto” – FEUP-Edições, Colecção Monografias, 2, Porto, 445 pp.
Begonha, A., Sequeira Braga, M.A. 2002. Weathering of the Oporto granite: geotechnical and physical properties. Catena, 49: 57-76.
Carta Geotécnica do Porto, 2003. Notícia Explicativa. Câmara Municipal do Porto.

Outros valores e sua justificação

Educativo - Numa cidade, em lugar dos afloramentos, os edifícios e as pedras para construção constituem uma excelente articulação entre o património natural e o património edificado, podendo ser utilizados para estimular o interesse pela Geologia a partir da identificação da pedra com as fácies das pedreiras mais próximas.
Histórico/Cultural - A rocha que constitui o inestimável património natural e arquitectónico da cidade, o Granito do Porto, está presente nas primeiras habitações, no sistema defensivo primitivo, na Muralha Fernandina, nos austeros monumentos medievais, nos deslumbrantes monumentos de estilo barroco, nos solenes edifícios públicos de estilo neoclássico, nas modestas habitações das suas gentes.
O Centro Histórico da Cidade do Porto está classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO 
Económico – Este granito foi explorado como rocha ornamental sob a designação de Branco do Porto estando representado e caracterizado no Catálogo das Rochas Ornamentais Portuguesas (disponível em http://rop.ineti.pt/rop/)

Observações

Existem afloramentos dispersos na cidade mas o afloramento principal encontra-se perto da Sé e estação de S.Bento (ver mapa e fotos). Outros afloramentos na encosta norte por baixo da ponte da Arrábida (41.148512; -8.641093) e Rua D. Pedro V (41.149796; -8.630500). Também aplicado em edifícios e monumentos do centro histórico.