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Pedreira da Herdade Monte das Flores - Évora

justificação do valor científico

O maciço eruptivo de Évora enquadra-se nos granitos variscos sin-orogénicos da ZOM, de instalação sin D3. Consiste numa complexidade de fácies de entre as quais se destacam: quartzodioritos associados a granodioritos, granitos calco-alcalinos e pequenas ocorrências de gabro e diorito às quais estão espacialmente associados tonalitos com assinatura calco-alcalina. Esta associação indica uma provável componente mantélica na génese dos tonalitos (Moita et al., 2005) enquanto que os granitos e granodioritos podem resultar de processos de mistura de magmas de origem mantélica com magmas de origem anatéctica de metassedimentos de idade ediacariana  (Moita 2009).
Na pedreira da Herdade do Monte das Flores é explorada a fácies mais representativa do maciço correspondente ao granodiorito de grão médio não porfiróide que apresenta notável expressão cartográfica na folha 40-A da Carta Geológica de Portugal à escala 1:50 000 (Carvalhosa et al 1969). Trata-se de uma rocha granodiorítica  de cor cinzenta escura, com foliação acentuada, apresentando textura hipidiomórfica granular cujos minerais essenciais são a plagioclase, quartzo, microclina, hornblenda e biotite. O zircão e opacos ocorrem como minerais acessórios. O granodiorito aqui extraído é utilizado essencialmente como rocha ornamental. 
Espacialmente associado à mancha de quartzodioritos e granodioritos merece um destaque muito especial o Menir e o Cromeleque dos Almendres, cujos monólitos foram esculpidos em granodiorito porfiróide de grão grosseiro a médio. O conjunto megalítico encontra-se implantado nos gnaisses granitóides e migmatitos mas as litologias usadas na sua construção são provenientes de pequenas manchas de granodioritos porfiróides intrusivas nos gnaisses e migmatitos que ocorrem nas imediações. 

Referências
Carvalhosa, A.B., Carvalho, A. M. G.,  Matos Alves, C.A., Pina, H.L. 1969 - Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:50 000. Notícia explicativa da Folha 40-A (Évora). Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa.
Moita P., Santos J. F., Pereira M. F. 2005. Tonalites from Hospitais Massif (Ossa Morena Zone, Sw Iberian Massif, Portugal): Geochemistry and petrogenesis. Geogaceta 37, 51-54.
Moita P., Santos J. F., Pereira M. F. 2009.  Layerd granitoids: Interaction between continental crust recycling processes and mantel derived magmatism. Examples from the Évora Massif     (Ossa-Morena Zone, southwest Iberia, Portugal). Lithos, 111, 125-141.

Outros valores e sua justificação

Valor económico- O granodiorito de Évora é uma das rochas utilizadas como rocha ornamental com a designação comercial de Cinzento Escuro ou Cinzento de Évora, fazendo parte do Catálogo das Rochas Ornamentais Portuguesas (DGGM 1983). Informação disponível em http://rop.ineti.pt/rop/
Encontra-se em exploração em diversas pedreiras da região sendo a Pedreira do Monte das Flores uma das unidades de exploração em que a rocha é mais característica. Também tem utilização como rocha industrial.
Valor arqueológico – As fácies graníticas e granodioriticas da região são as rochas mais utilizadas na cultura megalítica da região, caso do Cromeleque e do Menir dos Almendres, a Anta Grande do Zambujeiro e muitas outros monumentos Megalíticos.
Valor Cultural - Grande parte do património edificado da região é construído com os granitos e granodioritos do Maciço de Évora.  
Valor educativo – A boa exposição apresentada na pedreira permite observar directamente as litologias graníticas e granodioriticas da região de Évora, em local em que os afloramentos não abundam dadas as características aplanadas da região.