Geossítios
GEO

Penha - Guimarães

justificação do valor científico

Granitos sinorogénicos,  biotíticos com plagioclase cálcica de instalação sin-, tardi-  e tardi- a pós - D3 (Ferreira et al. 1987). Correspondem a monzogranitos biotíticos porfiróides, que formam geralmente maciços compósitos, podendo ser identificadas várias fácies que apresentam diferentes granulometrias. Os contactos entre as fácies são normalmente difusos, com passagens graduais. Todas as fácies contêm numerosos encraves microgranulares,  encontrando-se frequentemente associados a rochas de composição básica a intermédia  (gabronoritos, monzodioritos, quartzomonzodioritos e granodioritos). Os contactos entre estas rochas e os granitos são tipicamente magmáticos, com passagens graduais ou contactos bruscos, sendo neste caso contactos lobados ou interdigitados, demonstrando simultaneidade na instalação. São frequentes os encraves de outras rochas mais antigas, nomeadamente de rochas metassedimentares. Datações U/Pb  efectuadas em vários locais do Minho e Beiras conferem gama de idades desde 300 a 320 Ma. (Dias et al.1998)
Os aspectos geomorfológicos associados a este tipo de granitos marcam a paisagem dos locais em que ocorrem. A presença das grandes bolas, com vários metros de diâmetro, surgem em grandes aglomerados nos locais mais elevados, sendo designados popularmente por Penhas, sendo o afloramento agora proposto um desses exemplos, correspondendo a um ex libris da região minhota. O local é de fácil acesso por estrada e por teleférico recentemente instalado. Tem local de aparcamento e infra-estruturas de apoio. É um dos geossítios consignados no PDM de Guimarães, estando prevista a sua valorização com sinalética e painéis informativos como Local de Interesse Geológico. Este geossítio ocorre em local de domínio público, sendo de fácil observação, mesmo a visitantes de mobilidade reduzida.
Na região de Viseu ocorre o granito biotítico porfiróide de grão grosseiro, designado por granito de Cota, onde são visíveis abundantes encraves microgranulares máficos e aspectos de mistura de magmas constituindo o geossítio de Penalva do Castelo.

Referências
Dias, G., Leterrier, J., Mendes, A., Simões, P.P., Bertrand, J.M. 1998. U-Pb zircon and monazite geochronology of post-collisional Hercynian granitoids from the Central Iberian Zone (Northern Portugal). Lithos 45, 349-369.
Ferreira, N., Iglésias, M., Noronha, F., Pereira, E., Ribeiro, A., Ribeiro, M.L., 1987. Granitóides da Zona Centro Ibérica e seu enquadramento geodinâmico. In: F. Bea, A Carnicero, J. Gonzalo, M. Lopez Plaza; M. Rodriguez Alonso, Eds, Geología de los Granitoides y Rocas Asociadas del Macizo Hesperico, Editorial Rueda, Madrid. (Libro de Homenaje a L.C. García de Figuerola). p. 37-51.

Outros valores e sua justificação

Aspectos de grande importância quer como Local de Interesse Geológico quer como Local de Interesse Geomorfológico associado a aspectos da morfologia granítica. 
Interesse educativo - Na temática da Geologia e Geomorfologia,  importante para todos os graus de ensino e de formação contínua de professores. 
Interesse turístico – Grande importância turística dada a magnífica paisagem que se desfruta deste local, como prova a quantidade de infraestruturas nele criadas.
Interesse económico - Nas vertentes e na base da encosta estes granitos foram explorados como rocha ornamental, tendo sido explorados directamente das grandes bolas que ocorrem isoladas e do caos de blocos da base da encosta. O granito apresenta coloração amarelada , quando ligeiramente alterado, sendo designado comercialmente por Cristal Amarelo. Quando o granito se apresenta não alterado ostenta cor azul sendo designado por Cristal Azul. Ambas as variedades se encontram referidas no Catálogo das Rochas Ornamentais Portuguesas (edição DGGM 1983) sendo aí descritas as suas características tecnológicas. O referido catálogo encontra-se disponível na Internet no endereço:
http://rop.ineti.pt/rop/