Geossítios
GEO

Portalegre (miradouro)

justificação do valor científico

O maciço granitico de Portalegre é composto por granitos pré-variscos corresponde a uma intrusão granítica fortemente tectonizada com cerca de 200 km2, de forma elíptica, orientada NW-SE que aflora na transição ZCI/ZOM. Segundo Solá (2007) as rochas deste Maciço correspondem a granitos tectonizados, orientados e por vezes com aspectos texturais semelhantes aos ortognaisses (s.l.), bem evidenciados em afloramento e ao microscópio. A intensidade da deformação é geralmente bastante acentuada, conduzindo por vezes a texturas fortemente cataclásticas/miloniticas. Foram identificadas quatro fácies graníticas individualizadas com base nos aspectos texturais : granulometria, presença/ausência de carácter porfiróide e intensidade de deformação. Genericamente estes granitos apresentam composições que se enquadram nos sienogranitos e granitos com feldspato alcalino, podendo atingir o campo dos granodioritos. A fácies granítica dominante no Maciço de Portalegre corresponde ao granito de Alagoa que constitui este afloramento. Apresenta grão muito grosseiro, porfiróide, com megacristais de quartzo e feldspato potássico pertítico, numa matriz, formada por quartzo+feldspato potássico+plagioclase (1-15% An)+biotite+moscovite. A textura é fortemente foliada com cataclase e estiramento dos grãos. Os megacristais de feldspato não são homogéneos e englobam vários cristais de feldspato potássico e de plagioclase. A biotite é a mica dominante e ocorre intersticialmente em faixas, concentrada nos planos de foliação, por vezes granulada com inclusões de zircão, opacos e granada (almandina). A moscovite ocorre associada à biotite e é de provável sin-cristalização. Datação desta fácies obtida por SHRIMP em zircão confere idade de 492,7+3,5 Ma.
Diagramas de variação de elementos maiores/menores e de elementos de terras raras  entre as várias fácies identificadas sugerem cristalização fraccionada do magma granítico, revelando  assinatura geoquímica de origem continental. Do ponto de vista geodinâmico o Maciço de Portalegre está integrado num segmento crustal complexo de transição ZCI/ZOM, podendo representar um plutonismo gerado em ambiente complexo, transicional, provavelmente transpressivo, possivelmente relacionado com a fase Sarda na região (Romão et al. 2005). A Fase Sarda documentada noutras regiões da ZCI marca um período de inversão tectónica ocorrido no limite Cambro-Ordovícico (coincidente com a idade do Maciço de Portalegre) em regime extensional dominante. 

Solá A. R. 2007 Relações Petrogenéticas dos Maciços Graníticos do NE Alentejano 2007-  PhD Thesis, Universidade de Coimbra.  
Romão J., Coke C., Dias R., Ribeiro A. 2005. Transiente inversion during the opening stage of the Wilson Cycle “Sardic Fase” in the Iberian Variscides – stratigraphic and tectonic record. Geodinamica Acta, 18-2, pp. 15-20.

Outros valores e sua justificação

Valor educativo – O local, sendo de fácil acesso, com boa exposição e localizado em área de lazer permite a apresentação do afloramento a grupos de alunos dos vários graus de ensino bem como de formação contínua de professores.
Valor turístico - Estando o local situado num miradouro sobre a cidade de Portalegre o local pode ser valorizado com informação complementar de carácter geológico sempre atraente aos turistas de natureza.
Valor económico – Embora não seja uma rocha com boas características tecnológicas que permitam a sua utilização do ponto de vista de granitos ornamentais e industriais este granito continua a ser utilizado e explorado localmente para construções evidenciado pela existência da própria pedreira.